sábado, 29 de maio de 2010

o navio místico de Antonin Artaud...






Um soneto simbolista de Artaud, com influências

de Baudelaire, Rimbaud e Mallarmé.


Poema para se sentir, imaginar, não para se interpretar...

Antonin Artaud

O navio místico


E será perdido o navio arcaico
Nos mares que banham meus sonhos
E seus imensos mastros serão confusos
Nas brumas d'um céu de bíblia e cânticos.


Um ar sopra, mas não de antigo bucólico,
Misteriosamente meio árvores nuas;
E o navio santo não será vendido
Tal artigo raro aos países exóticos.


Não conhecia o fogo das caves da terra.
Não sabia que Deus, e infindo, sozinho
Separa as ondas gloriosas do Infinito.


O alto de seu gurupés mergulha no Mistério.
Nos topos de seus mastros treme toda noite
A prata mística e pura da Estrela Polar.



Trad. Leonardo de Magalhaens

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Antonin Artaud

Le Navire mystique


Il se sera perdu le navire archaïque
Aux mers où baigneront mes rêves éperdus ;
Et ses immenses mâts se seront confondus
Dans les brouillards d’un ciel de bible et de cantiques.
Un air jouera, mais non d’antique bucolique,
Mystérieusement parmi les arbres nus ;
Et le navire saint n’aura jamais vendu
La très rare denrée aux pays exotiques.
Il ne sait pas les feux des havres de la terre.
Il ne connaît que Dieu, et sans fin, solitaire
Il sépare les flots glorieux de l’infini.
Le bout de son beaupré plonge dans le mystère.
Aux pointes de ses mâts tremble toutes les nuits
L’argent mystique et pur de l’étoile polaire.
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