quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Timoneiro / Der Steuermann de F Kafka




Opa! Há um conto do Kafka do qual eu gosto muito.
Foi escrito em 1920. Época em que as forças de
Esquerda e de Direita dilaceravam a Europa e
desestabilizavam os regimes que poderiam ser
palidamente chamados de 'democráticos'. Aqui
o 'sexto-sentido' de Kafka mostra o povo seguindo
o 'timoneiro' mais audaz, mais imperativo, mais
ditatorial. Não importa quem seja o 'timoneiro'
desde que ele saiba dar ordens! Aquele que duvida
de si ('serei o líder?') é desprezado pelo
povo, que é submisso à 'servidão voluntária'.

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O timoneiro
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“Não sou o timoneiro?””, eu exclamei. “Você?”, perguntou um homem grandalhão alto e sombrio e apertou as mãos nos olhos como se ele espantasse um sonho. Eu estava ao leme durante a noite escura, com a lanterna brilhando debilmente sobre a minha cabeça, e agora havia este homem recém-chegado e que queria dispensar-me, empurrar-me. E de lá eu não me arredei, ele posicionou o pé contra o meu peito e lentamente empurrou-me para baixo, enquanto eu ainda sempre à roda do leme me agarrava e ao cair o desviava, alterava o curso, totalmente. Porém, lá, o homem o corrigiu, no rumo em ordem, enquanto a mim expulsava-me. Porém, eu logo me dirigi até a escotilha que ligava até a sala da tripulação e exclamei: “Tripulação! Camaradas! Venham rápido! Um estranho expulsou-me do leme!” Lentamente eles vieram, ao subirem a escada do navio, formas vigorosas mas fatigadas vacilantes. “Sou eu o timoneiro?” eu perguntei. Eles afirmaram com as cabeças, mas sempre a olharem para o estranho, e se puseram em semicírculo ao redor dele e, quando ele ordenando disse: “Não me incomodem”, eles se reuniram, com a cabeça acenaram para mim e desceram as escada do navio lá pra baixo. Que povo é este! Eles pensam mesmo ou se arrastam sem qualquer sentido sobre a face da Terra?
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Trad. Livre: Leonardo de Magalhaens




»Bin ich nicht Steuermann?« rief ich. »du?« fragte ein dunkler hoch gewachsener Mann und strich sich mit der Hand über die Augen, als verscheuche er einen Traum. Ich war am Steuer gestanden in der dunklen Nacht, die schwachbrennende Laterne über meinem Kopf, und nun war dieser Mann gekommen und wollte mich beiseiteschieben. Und da ich nicht wich, setzte er mir den Fuß auf die Brust und trat mich langsam nieder, während ich noch immer an den Stäben des Steuerrades hing und beim Niederfallen es ganz herumriss. Da aber fasste es der Mann, brachte es in Ordnung, mich aber stieß er weg. Doch ich besann mich bald, lief zu der Luke, die in den Mannschaftsraum führte und rief: »Mannschaft! Kameraden! Kommt schnell! Ein Fremder hat mich vom Steuer vertrieben!« Langsam kamen sie, stiegen auf aus der Schiffstreppe, schwankende müde mächtige Gestalten. »Bin ich der Steuermann?« fragte ich. Sie nickten, aber Blicke hatten sie nur für den Fremden, im Halbkreis standen sie um ihn herum und, als er befehlend sagte: »Stört mich nicht«, sammelten sie sich, nickten mir zu und zogen wieder die Schiffstreppe hinab. Was ist das für Volk! Denken sie auch oder schlurfen sie nur sinnlos über die Erde?
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Der Steuermann
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Um comentário:

  1. Não conhecia este conto, e seu mérito está em nos trazer essa raridade. Muito bom mesmo.
    Parabéns.

    F.M.

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