quarta-feira, 27 de outubro de 2010

2 poemas de Gary Snyder




GARY SNYDER


Hay For The Horses
Feno para os Cavalos


Ele dirigiu metade da noite
Vindo longe de San Joaquin
Atravessando Mariposa, acima
Nas perigosas estradas da serra,
E descarregou às oito da manhã
A carga de fardos de feno
atrás do celeiro.
Com guinchos, cordas e ganchos
Nós amontoamos todos os fardos
Até o madeirame rubro do telhado
Alto no escuro, farpas de alfafa
Giravam nas frestas de luz,
Coceira de pó de feno adentra
Calçados e roupas suorentas.
Almoço sob o escuro carvalho
Fora do aquecido curral,
- A velha égua farejando baldes de ração,
Gafanhotos estalando na grama -
“Estou com 68” ele disse,
“Passei a juntar feno aos 17.
Pensei quando comecei naquele dia,
Que odiaria fazer isso a vida toda.
E dane-se, eis o que
Tenho feito e refeito.”


trad. Leonardo de Magalhaens
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Hay For The Horses
He had driven half the night
From far down San Joaquin
Through Mariposa, up the
Dangerous mountain roads,
And pulled in at eight a.m.
With his big truckload of hay
behind the barn.
With winch and ropes and hooks
We stacked the bales up clean
To splintery redwood rafters
High in the dark, flecks of alfalfa
Whirling through shingle-cracks of light,
Itch of haydust in the
sweaty shirt and shoes.
At lunchtime under Black oak
Out in the hot corral,
--The old mare nosing lunchpails,
Grasshoppers crackling in the weeds --
"I'm sixty-eight" he said,
"I first bucked hay when I was seventeen.
I thought, that day I started,
I sure would hate to do this all my life.
And dammit, that's just what
I've gone and done."
...

Por todos (ou Para todos)
For All


Ah! estar vivo
numa manhã de meados de setembro
cruzando um riacho
com pés desnudos, calças dobradas,
segurando as botas, num embrulho,
à luz do sol, águas gélidas rasas,
montanhas rochosas ao norte.
Murmurar e reluzir das águas gélidas
seixos sob os pés, miúdos e duros
como se fossem dedos
nariz frio gotejando
cantando dentro
música fluvial, música cordial,
cheiro de sol sobre o cascalho.
Eu prometi aliança
Eu prometi aliança ao solo
de Turtle Island, (Ilha da Tartaruga)
e aos seres que lá habitam
um ecossistema
em diversidade
sob o sol
Com a alegre interpenetração de tudo.

.

Trad. Leonardo de Magalhaens

http://desencontrosgrafados.blogspot.com


.

For All
Ah to be alive
on a mid-September morn
fording a stream
barefoot, pants rolled up,
holding boots, pack on,
sunshine, ice in the shallows,
northern rockies.
Rustle and shimmer of icy creek waters
stones turn underfoot, small and hard as toes
cold nose dripping
singing inside
creek music, heart music,
smell of sun on gravel.
I pledge allegiance
I pledge allegiance to the soil
of Turtle Island,
and to the beings who thereon dwell
one ecosystem
in diversity
under the sun
With joyful interpenetration for all.
.
.
.

3 comentários:

  1. O trabalho de postar os poemas no original e a tradução é maravilhoso! Precisamos de mais pessoas assim.

    Gostei principalmente do primeiro poema, há um incomodo e um conforto muito interessante.

    Grande abraço!

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  2. Olá, amigo. Tuas traduções mudaram a minha visão dos poemas, também traduzi, anteriormente Hay of the horses. Aqui está:
    http://partidodoritmo.blogspot.com/2010/11/above-pate-valley-poema-de-gary-snyder.html
    Podemos trocar traduções para os nossos blogs, se te interessar.
    Parabéns e um abraço.

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  3. Boa tarde,
    bom ser tradutor, e poder levar a outros a compreensão de poemas que não estão em nosso idioma!!

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