sábado, 3 de julho de 2010

Ode à Melancolia - John KEATS




JOHN KEATS

Ode on Melancholy
(1820)


1.

Não, não, não siga ao Letes, nem agite
As ervas (1), enraizadas, a buscar venenosa poção;
Nem sofra tua pálida fronte ao ser beijada
Pela noturna uva rubra de Proserpina;
Não faça seu rosário de bagas-de-teixo,
Não deixe o besouro, nem a mariposa serem
Sua lamentosa Psiquê, nem a sábia coruja
Sua companheira nos mistérios da mágoa;
Pois de sombra em sombra virá sonolenta,
E afogará a desperta angústia da alma.

2.

Mas quando a melancólica crise descer,
De súbito, dos Céus tal uma nuvem de lamentos,
Que acaricia todas as flores reclinadas,
E oculta a verde colina numa mortalha;
Então queira fartar tua dor numa rosa-da-manhã,
Ou sobre o arco-íris da onda salgada,
Ou sobre a fartura das belas flores globais:
Ou se tua senhora alguma rica ira demonstra,
Aprisione a sua suave mão, e deixe-a delirar,
E se satisfaça no profundo de seus olhos singulares.

3.

Ela habita junto a Beleza – que deve morrer;
E junto a Alegria, cuja mão aos lábios dele
Acenam adeus; e golpeando o Prazer próximo,
Tornando-se em poção enquanto as abelhas sorvem:
Sim, no verdadeiro templo do Deleite
Velada Melancolia tem seu relicário,
Apesar de invisível ser salvo, cuja ativa língua
Pode explodir a uva da Alegria ao céu-da-boca;
A alma dele degustará a tristeza dela,
E suspenso meio aos dela nublados troféus.


(1) “wolf’s bane”: acônito ou arnica, erva medicinal.
Com efeitos associados à Licantropia.

Trad. livre by Leonardo de Magalhaens
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Jan/08

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JOHN KEATS

Ode On Melancholy
(1820)

1.

No, no! go not to Lethe, neither twist
Wolf's-bane, tight-rooted, for its poisonous wine;
Nor suffer thy pale forehead to be kissed
By nightshade, ruby grape of Proserpine;
Make not your rosary of yew-berries,
Nor let the beetle nor the death-moth be
Your mournful Psyche, nor the downy owl
A partner in your sorrow's mysteries;
For shade to shade will come too drowsily,
And drown the wakeful anguish of the soul.

2.

But when the melancholy fit shall fall
Sudden from heaven like a weeping cloud,
That fosters the droop-headed flowers all,
And hides the green hill in an April shroud;
Then glut thy sorrow on a morning rose,
Or on the rainbow of the salt sand-wave,
Or on the wealth of globed peonies;
Or if thy mistress some rich anger shows,
Emprison her soft hand, and let her rave,
And feed deep, deep upon her peerless eyes.

3.

She dwells with Beauty -- Beauty that must die;
And Joy, whose hand is ever at his lips
Bidding adieu; and aching Pleasure nigh,
Turning to poison while the bee-mouth sips;
Ay, in the very temple of delight
Veiled Melancholy has her sovran shrine,
Though seen of none save him whose strenuous tongue
Can burst Joy's grape against his palate fine;
His soul shall taste the sadness of her might,
And be among her cloudy trophies hung.


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Para ouvir em
http://www.youtube.com/watch?v=ywBEYFKgEbM
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postagem ao som de
http://www.youtube.com/watch?v=zLmspcgrYrY

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