quarta-feira, 24 de novembro de 2010

2 poemas de Emily Dickinson





Emily Dickinson
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Tive fome todos estes anos;
A cada meio-dia vim almoçar;
Tremendo, aproximei a mesa,
E degustei o curioso vinho.
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Tinha visto este sobre a mesa,
Quando faminta, vagava sozinha,
Olhava às janelas, eis a fartura
Que para mim não podia esperar.
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Não conhecia o pão farto;
Era bem diferente a migalha
Que compartilhei com as aves
Na sala de jantar natural.
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A fartura ofendia, tão nova, -
Que sentia-me doente e estranha,
Como se fosse fruto silvestre
Transportado à beira de estrada.
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Nem faminta estava; descobria
Que fome era um jeito
Das pessoas antes lá fora
Renegassem ao entrar.
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Trad. Leonardo de Magalhaens
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Emily Dickinson
(EUA, 1830-1886)



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Emily Dickinson

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Em minha mente senti um funeral,
E carpideiras seguiam,
Marchando, marchando, até parecia
Que os sentidos se rompiam.

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E quando todos se sentaram,
A assistência soava um tambor
Que batia, batia, até pensei
Que minha mente caía em torpor.

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E então ouvi: ergueram a caixa,
E em minha alma rangeu
Com aquelas mesmas botas pesadas.
Então o espaço todo tremeu

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E todo o céu era um sino
E o Ser nada além de ouvido,
E eu e o silêncio de estranha raça,
Aqui miserável, só, perdida.

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Trad. Leonardo de Magalhaens

Emily Dickinson
(EUA, 1830-1886)



original poem in


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