sábado, 7 de maio de 2011

Elogio do Aprender - Bertolt Brecht










Elogio do Aprender


Bertolt Brecht




Aprenda o mais simples! Pois
Para aqueles cuja hora chegou
Nunca é muito tarde !
Aprenda o ABC; não basta, mas
aprenda!Não desanime!
Comece já! É preciso saber tudo!
Você precisa assumir o comando!

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Aprenda, homem no asilo!
Aprenda, homem na prisão!
Aprenda, mulher na cozinha!
Aprenda, você idoso!
Você precisa assumir o comando!
Procure a escola, você sem-teto!
Adquira conhecimento, você no frio!
Você faminto, agarre o livro: é uma arma.
Você precisa assumir o comando.

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Não se seja tímido ao perguntar, colega!
Não se deixe convencer!
Veja com seus próprios olhos!
O que não sabe por conta própria,
não sabe.
Verifique a conta
É você quem vai pagar.
Ponha o dedo sobre cada item
Pergunte: o que é isso aqui?
Você precisa assumir o comando.



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Trad. LdeM



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Lob des Lernens


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Lerne das Einfachste ! Für die
Deren Zeit gekommen ist
Ist es nie zu spät!
Lerne das Abc, es genügt nicht, aber
Lerne es! Laß es dich nicht verdrießen !
Fang an! Du mußt alles wissen!
Du mußt die Führung übernehmen.

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Lerne, Mann im Asyl !
Lerne, Mann im Gefängnis!
Lerne, Frau in der Küche!
Lerne, Sechzigjährige!
Du mußt die Führung übernehmen.
Suche die Schule auf, Obdachloser !
Verschaffe dir Wissen, Frierender!
Hungriger, greif nach dem Buch: es ist eine Waffe.
Du mußt die Führung übernehmen.

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Scheue dich nicht zu fragen, Genosse !
Laß dir nichts einreden
Sieh selber nach!
Was du nicht selber weißt
Weißt du nicht.
Prüfe die Rechnung
Du mußt sie bezahlen.
Lege den Finger auf jeden Posten
Frage: Wie kommt er hierher?
Du mußt die Führung übernehmen.

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Bertolt Brecht




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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os Poetas X A Poesia





Os Poetas X A Poesia

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O que é Poesia? Quem são os Poetas? Questões que incomodam os literatos e os acadêmicos. Alguns críticos – e muitos professores – defendem que é preciso saber sobre o/a Poeta – a vida do/a poeta, personalidade e eventos biográficos – para que se entenda um poema, ou outro texto.

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Para 'podermos ler' um poema é preciso saber em que idade o texto foi escrito, em que circunstâncias, sob qual teto, ou teto nenhum, se em liberdade ou na prisão, se ele ou ela foi abandonado/a pelo cônjuge ou amante, se foi pra guerra ou viveu sempre numa aldeia pacífica.

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Conhecer o Poeta, a Poeta para entender o texto? Para saber a 'intenção autoral'? Ter acesso a alguma suposta 'mensagem' que o Autor, a Autora pretendem transmitir?

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Ler um texto é ter acesso a alguma mensagem? Ou a partir do texto encontrar algo que atue diretamente sobre o leitor (ênfase na Recepção)? As emoções, o sentimento do/a Autor/a somente interessam a/o Leitor/a na medida da 'identificação'? Ou seja, encontramos no Outro (o Autor/a) o que percebemos em nós mesmos. Emocionar-se com um poema é perceber-se no mesmo universo afetivo-expressivo. A sensação que criou o poema é 're-vivida' no Ego de outro, o/a Leitor/a.

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O preocupar-se com a 'intenção autoral' significa pretender um acesso ao que 'passava pela mente' de quem escreveu. Significa que se pretende ler a biografia lado a lado com o texto. O que vivenciou aquele Autor para que ele escrevesse aquele texto? O que teria acontecido se na hora de completar aquela estrofe o telefone tivesse tocado? Ou começado a Terceira Guerra Mundial?

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O que o/a Autor/a vivenciou interessa a/o Leitor/a? O sofrimento alheio nos interessa? Até porque ambos – Autor e Leitor - são egocêntricos. Tanto quem escreve como quem lê. Quem escreve é um egocêntrico que exibe sensações, emoções, sentimentos, visões-de-mundo, e quem lê é um egocêntrico que deseja encontrar no texto lido algo que possa 'refletir' uma sensação vivida ou idealizada.

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O/a Autor/a só é importante para nós – os exigentes leitores - na medida em que diz algo PARA MIM, não para o meu amante ou para o meu vizinho. Claro que alguns autores parecem 'conversar' com meio mundo. São considerados 'universais', tais como um Shakespeare, um Whitman, um Kafka, um Fernando Pessoa. Mas estes são mais exceção do regra.

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Saber a vida do/a Autor/a para 'entender' a Obra? O que seria 'entender' a obra? Reproduzir mentalmente as condições de vida para tentar explicar porque o texto é assim e não diferente? Por que o poema tem duas e estrofes e não dez? De repente, o autor estava com pressa, ou o telefone tocou... Ora, tudo isso é impossível. E mesmo que fosse possível – saber TUDO sobre o Autor X, é inútil, e nem mesmo desejável. A 'intenção autoral' não interessa.

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Até porque o que vale mesmo é a Obra. O/a Autor pode até ser anônimo, apócrifo, etc, que a Obra brilha por si mesma – se possui algum valor INTRÍNSECO. Claro que toda Obra tem um Autor – a Obra não se cria sozinha – mas uma vez libertada pelo gesto de publicação – seja autorizada ou póstuma – a Obra alcança independência – até atingir a figura do Leitor, que poderá re-interpretá-la.

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A preocupação com a figura do Autor é uma das maiores perdas de tempo. Os autores não valem mais que as Obras – aliás, é o contrário. Pablo Neruda vale porque escreveu Cem Sonetos de Amor, e não a obra Cem Sonetos de Amor é importante porque foi escrito por um Pablo Neruda. Caso contrário, devo agora ler tudo o que o Sr. Pablo Neruda escreveu? Até os poemas sem qualidade? Meros frutos de horas de 'luta com as palavras', na autora da juventude... (Assim muita gente lê romances de Paulo Coelho porque... porque foi o Sr. Paulo Coelho quem escreveu! É o Autor que traz valor para o texto e não o contrário! Mas aí é questão de Mídia, não de qualidade literária.)

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Digamos que dedicamos tempo a ler dois ou três romances do Sr. Nobel José Saramago. Três títulos que merecem ser lidos e relidos - “Ensaio sobre a Cegueira”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis” e “Todos os Nomes”, no caso – o que não significa que todos os romances escritos pelo Autor mereça atenção. Aliás, lê-se o 'Autor' - “ah, eu leio porque é do Saramago!” - e não pela qualidade da Obra! Ora, nenhum outro romance do citado Autor tem as qualidades das obras cujos títulos foram citados. (Nem vamos aqui estabelecer qualquer 'ranking' de qualidade...)

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Pois bem. Conhecer a Obra – se esta vale em termos de qualidades - é se deliciar com a genialidade humana, com a capacidade de superar o cotidiano, o mesquinho dia-a-dia funcional e de criar algo que mereça ser 'canonizado'. É o respeito que sentimos diante de um “Hamlet” ou um “Os Miseráveis”. O que não significa que teremos acesso ao que intencionava o Mr. William Shakespeare ou o Monsieur Victor Hugo.

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Aliás, não queremos conhecer nem Shakespeare nem Victor Hugo, queremos conhecer “Hamlet” e “Os Miseráveis”. Até porque conhecer os autores pode ser uma fonte de, digamos, decepção.

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Sim, decepção. Posso adorar Poesia, posso idolatrar uma Obra Literária. Mas significa que adorarei o Autor? Que minha idolatria se estenderá até a Figura Autoral? Pelo contrário. Tem uma década que convivo com Autores – e sinceramente prefiro os Livros. Conhecer os Autores é até pensar novamente se a Obra saiu mesmo daquela 'fonte'. Será algum mal-entendido? Esta pessoa escreveu aquele livro?

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Aliás, quem são os Poetas? Seres mágicos, sublimes, etéreos? Visionários? Profetas das 'Palavras Aladas'? Vates eternos? Bardos da Realidade Excelsa? Imagens humanizadas da Palavra? Seria maravilhoso se assim fosse! Temos estas ideias sobre os Poetas por um processo de Idealização. Idealizamos demais e por isso sofremos.

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Os poemas – que transmitem Poesia – são belos, são admiráveis. E achamos que os Poetas assim também o são. Ledo engano.

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Queremos ser Poetas – daí idolatramos os demais Poetas. Até conhecê-los. Quem são os Poetas?, repetimos. Pessoas comuns. Funcionários públicos, artistas, músicos, profissionais liberais. Donas de casa, secretárias, donas de salão de beleza. Promotores de eventos artísticos, políticos, donos de editoras. Professores, burocratas, desempregados. A 'imagem de Poeta' é uma mera fantasia. Nem louco nem engravatado, nem lunático nem acomodado. Nem revolucionário, nem hóspede de uma torre-de-marfim. Qualquer imagem de Poeta é abstração, é delírio nosso.

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O Poeta, a poeta pode ser o nosso vizinho, pode ser aquele senhor bebendo chope no bar da esquina, pode ser a dona lavando a janela, pode ser o cara discutindo com o cobrador. Pessoas comuns que vivem vidas comuns – com raríssimas exceções que apenas confirmam a regra. Os poetas não merecem qualquer admiração – só porque são poetas. Merecem nosso respeito por serem cidadãos. Admirados por sobreviverem num dado sistema social, mais livre ou mais opressor. Por sobreviverem. Apenas.

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Idealizar o/a Poeta é que tem criado esta febre de pesquisa biográfica. Quantas são as noivas de Poe ou de Kafka? Quantos os amantes do Piva? Quantas são as putas do Bukowski? Quais as ligações políticas de Pound ou de Brecht? Qual o nome da amante de Elizabeth Bishop? Ora! Enquanto nos preocupamos com isso deixamos de LER as Obras! O mais importante fica de lado: paramos de ler “Ulisses” para ir dar uma espiadinha na alcova de James Joyce!

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Nenhum poeta e nenhuma poeta é admirável em si-mesmo/a – mas é admirável em relação a Obra. Como aquele ser cotidiano conseguiu escrever algo com semelhante profundidade e clareza afetiva-filosófica? Mesmo que não pratique nada daquilo na vida diária! Mesmo que externamente seja um qualquer que transita pelas ruas a solicitar um cigarro, ou um minuto de atenção.

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Nenhum deles é modelo de caráter – um modelo a ser seguido. Um era bêbado, outro era esquizofrênico, uma outra era suicida. Um era pederasta, o outro era satanista, uma outra era viciada em morfina. Um virou traficante de armas, outra traiu o marido, um outro traiu os companheiros políticos. Um era antipatriota, outra era marginal, um outro era alienado. Outros pretendem ter 'voz coletiva', outros somente falam do próprio umbigo. Nenhum se salva. Um por ser idealista demais, outro por ser materialista demais, um outro por ser egocêntrico demais.

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Não precisamos citar nomes. Todos sabem de quem aqui falamos. Aliás, sabemos MAIS sobre os Autores do que sobre as obras. Sabemos os nomes das amantes de Baudelaire, mas não sabemos decorado sequer um soneto do simbolista francês. Sabemos tudo sobre a opção política de Knut Hamsun, mas quantos de nós lemos “Fome”? Ou seja, o Autor é celebridade, a Obra fica na estante.

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E ainda querem que percamos o nosso valiosíssimo tempo para ler biografia de escritores, poetas, literatos? O máximo que podemos ler em termos de biografias são aquelas de políticos, pois estes não têm obras escritas – com algumas exceções, claro – mas uma 'vida política'. Daí se justificar que tenhamos dedicado tempo valioso para ler as biografias de Robespierre, Napoleão, Bismarck, Lênin, Mussolini, Hitler, Stálin, De Gaulle, Churchill, Roosevelt, Eisenhower, Tojo, dentre outros, e nunca lido totalmente qualquer biografia de escritor, poeta, literato. Temos mais o que fazer.

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Aviso aos navegantes: ESTE não é um texto acadêmico. É livre-expressão de um Literato-estudante-funcionário-público.

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por Leonardo de Magalhaens




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Mais info sobre Intencionalidade Autoral

e Estética da Recepção em





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domingo, 3 de abril de 2011

EU NÃO (LdeM)




EU NÃO
Eu não dirigi bêbado Eu não tenho um cabelo tipo moicano Eu não tenho um esqueleto no armário Eu não joguei meus bens na roleta Eu não queimei dinheiro Eu não atravessei à nado o Canal da Mancha Eu não sobrevoei os Alpes com um balão Eu não matei John Kennedy Eu não implodi o World Trade Center Eu não sequestrei o avião no Oriente Médio Eu não financiei o Mensalão Eu não tatuei uma folha de maconha Eu não votei no Bush Eu não atirei no Papa Eu não joguei na Bolsa Eu não pulei do Ed. Joelma Eu não matei meu pais nem fui ao cinema Eu não tive uma crise de nervos em pleno voo Eu não fiz tatuagem de dragão Eu não furei o nariz com piercing Eu não enfiei uma rodela nos lábios Eu não me deixei marcar com ferro-em-brasa Eu não tenho um exército de mercenários Eu sequer tenho piercing na língua Eu não me endividei Eu não abusei do crédito Eu não engravidei a vizinha adolescente Eu não quebrei guitarra no palco Eu não pulei de paraquedas Eu não escalei o Aconcágua Eu não nocauteei o peso-pesado Eu não dinamitei a Ilha de Manhattan Eu não torrei o cheque-especial Eu não comprei o carro do ano Eu não tenho o celular da moda Eu não assinei a revista de fofocas Eu não tenho guarda-costas Eu não deixei a lâmpada acesa Eu não joguei latinha na rua Eu não fumo nem injeto Eu não brinquei de roleta-russa Eu não criei slogans de propaganda Eu não lancei minha candidatura Eu não uso lentes de contato multicores Eu não uso casaco de general Eu não uso botina de soldado raso Eu não tenho parentes importantes nem padrinhos políticos Eu não coleciono figurinhas dos craques de futebol Eu não divulgo minhas fotos no facebook Eu não estaciono em fila dupla Eu não emprestei meu cartão de crédito Eu não aceitei propina do empresário Eu não falsifiquei a assinatura do deputado Eu não apertei a mão do traficante Eu não troquei sorrisos com o presidente Eu não entrevistei o candidato Obama Eu não entrevistei o terrorista Osama Eu não plagiei as místicas de Paulo Coelho Eu não me casei com a Bruna Surfistinha Eu sei que há doido pra tudo mas no fim o maluco sou eu


mar/11 Leonardo de Magalhaens http://leoliteraturaescrita.blogspot.com . .

terça-feira, 15 de março de 2011

sobre 'NÓS e outros poemas' - de Rodrigo Starling




Sobre “NÓS e outros poemas” (BH, 2010)
do autor Rodrigo Starling


A Arte enquanto tessitura de influências


A Crítica


O Papel da Crítica diante da Obra é sempre de nortear o leitor, nunca explicar. Aliás, Crítica de Poesia é sempre a mais complexa. Pois não se explica Poesia – vivencia-se a Poesia, escreve-se e declama-se, em suma, sentir é a 'estrada de ladrilhos amarelos' rumo à Poética.

Quais o contexto de época, quais as influências do Autor, quais as companhias e interlocutores, qual a recepção dos leitores, quais são os autores influenciados pela Obra. Estas são as questões que interessam à Crítica, além dos aspectos estéticos em-si. Estética que é comparada com outros parâmetros estéticos, nada mais.

Na verdade, o julgamento da Crítica nunca deveria cair sobre o Autor, mas sobre a Obra. O Autor está além da Obra – é um ser psico-social-histórico inalcançável – e a Obra está além do Autor – após a publicação a Obra tem 'vida própria', será interpretada, sera 'digerida' pelo públioco de leitores.

Trata-se de um metonímia distorcida quando se imagina a Crítica da Obra visando o Autor, assim como quando dizemos “Eu leio Machado de Assis”, o que é obviamente uma 'figura de linguagem', pois como é possível que eu 'leia' a pessoa Machado de Assis?

Certamente que Machado de Assis não passa de uma outra 'persona textual', o Narrador, por exemplo. A pessoa Machado de Assis é totalmente inacessível – por mais que os biógrafos se cansem em mil esforços. (Mesmo ler uma biografia de um Autor é um exercício de 'acesso à obra'; podemos ler a biografia de James Joyce para tentar entender “Ulisses”, por exemplo. E nada mais.)

Mas há duas características autorais que podem ser apontadas a partir da Obra: o estilo e o talento. Em que dimensão o estilo é uma marca pessoal, é inconfundível, e o quanto este estilo é reflexo do talento, e se pode ser ainda melhorado pelo talento. Existem autores que se superam – sabem exercitar o talento a ponto de renovarem o estilo. Outros tornam-se reféns do estilo. A maioria sequer forma um estilo.

O que julga 'estilo' nem chega a tanto: é digestão de influências. Aqui no sentido dado por Harold Bloom em “Angústia da Influência”, como um 'bastão olímpico' que um artista passa ao outro. Alguns repassam o bastão assim como receberam, outros o embelezam ainda mais.


O Poeta e suas influências

Já tratamos em ensaio anterior (ver o artigo sobre “Confessório Ardente”, do mesmo Autor) o quanto as novas gerações dependem das anteriores, seja na sociedade, seja na cultura (ou Arte mais especificamente). Gerações vem e vão, e deixam marcas que outras gerações usam, abusam, rejeitam, reformulam, denigrem, em suma, dificilmente se cria o 'novo' a partir do 'nada' – tudo se transforma, já dizia Lavoisier, o grande cientista.

Coom raríssimas exceções, temos sempre um Autor em referência a outro. Mesmo gênios tais como Proust, Joyce e Kafka subiram no ombro de alguém, por mais obscuros e anônimos que tenham sido. (O quanto Proust deve a Amiel? Quem?! O quanto Kafka deve a Walser? Quem?!!) Pois bem, a influência não é algo 'negativo' – a 'cópia' é certamente – mas algo inerente, e precisa ser aceito e superado.

Assim temos a obra, a mais recente do poeta e filósofo Rodrigo Starling, literato engajado em ações de voluntariado transformador, que representa mais um passo rumo ao estilo impulsionado pelo talento. “Nós e outros poemas” pode ser uma resposta a “Eu e outros poemas” (1915), do poeta Augusto dos Anjos (que aliás, em vida, somente publicou “Eu”, em 1912), mais do que um trocadilho.

Pois o “Nós” inclui Augusto dos Anjos-”Eu” e outros poetas . “Nós” é um eu-lírico plural, feito de uma 'colcha de retalhos' de mil outros, chega a ser um 'poeta-frankenstein', criatura recriada a partir de pedaços – no caso, referências, citações, influências, empréstimos, reevocações, etc – que condicionam a própria 'dicção' até o ponto de um limite: a re-criação. O quanto 'Nós' consegue lidar com toda essa miríade de co-autores.

Ou o 'Nós' seria um híbrido Autor-Leitor, onde os leitores se encontram na obra lida (“Leitores, meus iguais, meus irmãos”), onde o Autor sabe precisar de leitores, onde a Obra se completa pelo Leitor que conseguir filtrar (após localizar, identificar!) cada 'empréstimo', cada 'referência' Autoral. (Existem três autores que se destacam enquanto exímios 'citadores', com seus textos polifônicos, como dizia o crítico Bakhtin, sempre co-enunciando outros: o argentino Jorge Luiz Borges e os italianos Ítalo Calvino e Umberto Eco.)

A pluralidade de estilo evidencia a multiplicidade de influências de um Autor que transita entre o romântico, o simbolista, o neo-barroco e flerta com o modernismo (em extensos poemas anti-líricos, p. ex.) Esta teia de releituras busca conciliar uma mensagem – que se é barroca, ou simbolista, é igualmente moderna, ao incluir a ironia – com um formato – seja poemas rimados e metrificados, seja os 'versos brancos', ou os poemas longos.

O importante é saber o quanto se deixa em 'malabares' a mensagem e a forma. Ou antes, o que é mensagem e o que é forma. Não que o lirismo esteja preso a uma forma – o Modernismo veio para nos libertar da métrica e da rima, ou remodelá-las. O lirismo não mais se confunde com a forma lírica – podemos ter um 'poema-em-prosa' mais lírico que um soneto com decassílabos heroícos e 'chave de ouro'.

O problema está evidente quando o poeta não desenvolve a forma – não cria forma nova, nem re-cria formas tradicionais. Ou quando o poeta não se apropria inteiramente das formas – por ignorância ou excesso de zelo, por bazófia ou descuido.

Vamos aos exemplos. Temos aqui o metalinguístico “Poema” (p. 32), onde a 1ª estrofe é esteticamente perfeita – 6 versos, esquema de rima AABCCB - e trata da relação Poema-Leitor, ou melhor, Autor-Leitor, a cumplicidade Escrita-Leitura.

Sou um poema, venho da lama
Da ordem do caos de quem ama
Da dupla chama do amor
Sentimento maior que o mundo
Luz na fração de segundo
Que és meu amante: leitor


Mas as duas estrofes seguintes não se igualam no apuro estético. Faltam as rimas, por exemplo. O Poeta não é obrigado a seguir rimas e métrica – nos livramos disso desde o 'verso branco', desde os modernistas, repetimos – mas se o poema começou num certo parâmetro estético – até elogiável – por que não prosseguir até a 'chave de ouro'?

Outro exemplo é o quase-soneto “Consoantes” (p. 36) que se inicia no esquema ABB'A e versos longos (10 e 12 sílabas) e termina em WXX / YYZ com versos curtos (8 e 9 sílabas). O que, em consequência, 'quebra' a estética.

Já apontamos (em outros ensaios) a deficiência destes quase-sonetos. Ou é soneto ou não é. Não basta serem 14 versos. Ou são metrificados ou rimados, ou não. Os sonetos clássicos são metrificados e rimados. Os 'sonetos brancos' dispensam rima, mas mantem métrica (8, 10 ou 12 sílabas, geralmente). O 'hibridismo' é que destoa, deixa 'feio'.

E o Poeta até que se destaca pelos 'versos brancos' em seus poemas longos (exemplos: “Cansei” e “BH Flâneur”) onde “Cansei” (pp. 52-60) é destaque.

Trata-se de um desabafo pequeno-burguês diante das imposições do cotidiano banal, e da necessidade doentioa de corresponder aos valores e expectativas das gentes que nos cercam. O olhar alheio que 'vampiriza' a espontaneidade e criatividade do eu-lírico,

cansei de organizar gavetas e livros na estante, e discos
na vitrine e perfumes no container;

de fazer ginástica para perder a barriga

da vaidade que me tia a gordura e (a) proteína;

de todas as burro-cracias, tão necessárias, hoje em dia.


É um desabafo que poderia ser excelente prosa, mas aqui é excelente NÃO-poesia. Exemplo de anti-lirismo. Explico. Sendo irônico, CANSEI é mais um grito. É um obra de anti-lirismo, não quer o lírico, mas desnudar o prosaico.

O próprio Eu-Lírico se julga ridículo tanto quanto o desabafo – aliás, no texto os auto-desprezos se fundem,

cansei cansei cansei cansei
de repetir nova-mente
esta estrofe ridícula


O uso do trocadilho – fina arte do Poeta-filósofo – cria uma atmosfera de ironia, de duplicidade, onde o Leitor é cúmplice (igualmente 'ridículo', aliás), ao ser receptivo a ironia autoral,

cansei de escrever um pouco
só por ironia
e de pensar se serei ou não
reconhecido
um dia

Afinal, o Poeta quer ser lido e – igual a todo artista – é um egocêntrico exibicionista,

cansei de ser valorizado, de frente ao espelho
e ter ego inchado somente na pia.

...

cansei da mania de ser egocêntrico, sistemático, exigente,
artista


O poeta terá realmente se cansado de sua tarefa de poetizar o mundo – ou será uma auto-ironia diante da consciência da própria condição? Onde 'fantasia' rima com 'poesia' (fantasy-poetry; phantasie-poesie, etc) no sentido de 'poetizamos para criar mundos outros'. O Poeta não se contenta com o mundo que aí está – ele quer algo mais. Ele CRIA algo mais. E ele cria para os outros!

Conclui-se que o Poeta não é totalmente egocêntrico – EU – mas quer um diálogo com o leitor atento – o Nós. Tem consciência de que o EU se forma no entrelaçamento de outros Eus, ou seja, a tessitura do NÓS. É assim evidente em “Eujaculatórias”, pp. 62-64)

Leitor Misericordioso
eu confio e espero por vós
Malogrado crítico literário
Eu confio e espero por vós

...

Leitor, ávido e exigente, farei os nossos olhos
semelhantes aos vossos

...

Leitor inveterado,
Nosso EU amado


Desde a introdutória “NOTA D'EU” é evidente o diálogo Autor-Leitor. É um desafio de conquista, um duelo de sedução: o Autor quer dominar a tenção dos Leitores – sempre imagiandos em função da enunciação. Pois o Autor espera o EFEITO – assim como aconselhava Edgar Allan Poe e assim faziam Baudelaire, Rimbaud e Lautréamont.

O que pode o Poema causar de efeito sobre o Leitor ou Ouvinte? Basta uma leitura de “O Barco Bêbado” de Rimbaud para se sentir liricamente ébrio, poeticamente entorpecido? Eis uma 'prova dos nove' – o quanto vale um poema que nos emociona? O quanto NÃO vale um poema que nos deixa indiferente?
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Duas traduções de “Le Bateau Ivre
http://www.arquivors.com/rimbaud1.htm
http://www.arquivors.com/rimbaud1.htm
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É este efeito que se perde muitas vezes em 'palavrórios' e retóricas vazias. Ou descuidos formais. Vejamos outro exemplo. O poema autobiográfico “29” com suas 5 estrofes de 6 versos (AABCCB / DD'EFFE/ GGHII'H / JJ'KLLK / MNOPPQ ) com regular irregularidade.

Como já dissemos o poema não é obrigado a seguir métrica e rima, mas se seguiu a rima (às vezes rimas imperfeitas ) nas 4 primeiras estrofes, por que desistiu do esquema na última estrofe?

Outro detalhe é da sonoridade (e sua influência sobre o ritmo). Lembramos que ao dizer '29' (vinte-e-nove) estamos pronunciando 4 sílabas. Uma leitura atenta mostra que o verso 4 da estrofe 2 – e também o da estrofe 3 – tem 9 sílabas, enquanto o verso 1 da estrofe 5 chega a ter 17 sílabas !

O verso 5 da estrofe 3 - “Ambiciono a potência dos bichos” - é um decassílabo , mas sua beleza se perde num conjunto de versos tão díspares – quanto os prosaicos “fazer 29 é deixar de ser neófito” e/ou “literalmente, fazer 29 é cair no sagrado” que são tudo – prosa, memória, crônica, conto – menos poesia.

Sabendo-se que se trata de poesia – e não prosa – o conteúdo não é o mais importante. Na poesia a 'escolha das palavras' é essencial, leva em consideração a Forma. Não exatamente verso. Mas se foi escolhido o verso, então se seguem os parâmetros de versos.

Poesia não é coisa fácil, não é veículo de 'conteúdo' – aliás, o conteúdo da poesia é a própria poesia! (Não é questão apenas de métrica e rima, mas de escolha das palavras, ritmo, sonoridade, figuras de linguagem, enfim, de Arte Poética) A Poesia é mais um bordado de palavras do que qualquer outra coisa.


Vejamos o poema “Porto de Partida” (pp. 67-71) – um trocadilho com 'ponto de partida', como podemos ver - onde é abordada a questão da Língua Portuguesa – não só quanto a aspectos ortográficos! - é examinada com ironia, em pleno diálogo com a tradição, seja a de Camões ou de Pessoa.

O quanto nossa literatura é dependente da mesma língua que compartilhamos com os lusitanos? O quanto falamos ainda 'português'? Não estaríamos vivendo em plenos 'brasilês'?

O tom irônico se equilibra no 'fio da navalha' com o lirismo. Atinge um anti-lírico ao listar cifras com números de luso-falantes por país – ousa inserir estatísticas num poema! Mas aqui não é lírico que se sobressai – mas o informacional do não-lírico.

O assunto Lusofonia é retomado em “Lusantropofagias” (pp. 72-78), onde o eu lírico parece se decidir pela predominância de 'diferenças', “Só o acordo nos une”. A diversidade de fala – apesar de textualmente compreendermos bem – é abordada aqui, no âmbito das tradições literárias.

Temos um passado de colonialismo que nos deu a Tradição – mas o que nos aguarda no futuro? O quanto somos 'lusitanos'? Não seremos antes uma 'colcha de retalhos' de afro-indígenas-europeus? Vejam uma São Paulo no que tem de mais, digamos, 'plurinacional'. Imigrantes italianos, japoneses, alemães, libaneses criaram novas pecularidades de linguagem.

Então o que temos de comum com a 'prosa lusitana'? O mesmo que os angolanos, os moçambicanos, os habitantes de Macau: a tradição. A partir daí temos as falas regionais, os dialetos, as pecularidades. O quanto uma Literatura Moçambicana é lusitana?

O quanto a Literatura Brasileira é portuguesa? Nosso cânone comum está lá no século 18 – os Arcadistas. Éramos gêmeos siameses até o século 19 – então os Românticos vieram nos 'nacionalizar'. Eles têm o Garrett e o Eça e nos temos o Castro Alves e o Machado de Assis.

Mas, ora percebemos, aqui trata-se, na verdade, de uma história de tradição – no sentido de 'angústia de influência' – que atua sobre o próprio poeta. O quanto da Literatura Portuguesa é 'devorada' e 'digerida' pelo Autor. Trata-se aqui uma grande listagem de leituras.


O grande poeta em Pessoa
Trindade heterônima, discreta
Em Campos, Reis ou Caeiro
Desassossego: à nossa espera

E toda Geração de Orpheu
Ou devotos de Sá Carneiro
Moderno, um saudosista
Do romance, o pioneiro

Sim, devoramos


Já dissemos que as leituras de Starling são as mais variadas. Acabe agora ao Poeta digerir e incorporar na própria Obra as muitas influências. Sabendo-se mente aberta para as mais diversas paixões e estéticas, deverá agora não selecionar – nada disso! - mas 'reintegrar': 'como poderei SER tudo isso e ser EU?', eis a questão.


O Poeta enquanto flâneur


Temos uma pista. O outro poema longo se destaca – BH Flâneur – que procura justamente 'prestar contas' destas influências. Ali estão os de outrora – os da tradição – e também os modernos-pós-modernos-ultra-modernos. Sejam os literatos, os performancers, os poetas-marginais, os anarco-poetas, os artistas-de-leis-de-incentivo, os poetas-dependentes-de-mecenas. Em suma, toda a pluralidade que viceja numa cidade-metrópole-capital tal qual BH City.


Em muitos momentos o poema atinge ápices líricos – assim como há os momentos anti-líricos – onde se congregam conteúdo e forma (o autor respeita, vez ou outra, métrica e rima, p.ex.), no indicativo de movimento-observação, do flâneur que percorre em suas andanças as ruas e memórias de Belo Horizonte, assim vejamos,


Devoto, segui a romaria estética
Inspirado, projetei-me na Colombo
Com teus autos, bulhas e ribombos
Repetindo a homilia poética

e

Tremulento, vi a obra já armada
Sinuosa, leve, imprevisível...
É Niemeyer! O gênio do impossível
Nas curvas sensuais desta morada

e também,


Perturbado, decidi descer...
E vi, como num sonho hilário,
Um louco cruzamento imaginário
D’Afonso Pena com
Champs Elisée


em outros momentos temos um tom lírico, mas falhas quanto a rimas – 'rimas forçadas' são piores que rima nenhuma, até porque não se é obrigado a rimar – que evidenciam o quanto a sonoridade é importante em poesia,


Em oração, prostrado, sem alardes
Senti a presença de Alphonsus...
E o sino dobrou em seis responsos:
“Pobre Starling! Pobre Starling!...”

Em prantos, nesta cisma obscura
Desci (prestíssimo) aquela via...
Como a nona de Bethoven, fugidia
Ao Centro de Cultura da Bahia


percebemos a rima dos versos internos e a ausência de rima nos versos externos, além do excesso de rima (em -ia) na estrofe seguinte (via/fugidia/Bahia), enquanto o tema se mantém tão lírico e emocional. Detalhes, sim. Mas detalhes que fazem diferença em poesia, arte da linguagem par excellence.

Quanto ao tema, este é abordado com lirismo irônico. Trocadilhos não faltam para apresentar faces e facetas da grande cidade trilhada pelo poeta-flâneur. Títulos de poemas e livros alheios, grandes mestres românticos e simbolistas, expoentes de vanguardas modernistas, sejam literatos, poetas, músicos, arquitetos, 'gente como a gente' que transitou (e transita) por aí,

Rumei à taberna do Maletta
Clube de tantas, agudas Esquinas
Todos: artistas, mulheres da vida
Sob as asas do Arcângelo asceta
e


Com dos Anjos na Augusto de Lima
Li tEUs versos, lamentos, desatinos
Esperando a Mercedes da Abílio
Vomitar-me (de volta) à casa fria



Aqui o poema carrega referências ao Clube da Esquina, movimento musical das décadas de 60 e 70, no qual se destacaram os irmãos Borges e o renomado Milton Nascimento, músicos que se reuniam na Cantina do Lucas, no citado Edifício Maletta, ponto central da boêmia cult de Belo Horizonte.

Também referências ao poeta Augusto dos Anjos, autor do livro de poemas “Eu”, dentro do prosaico retorno para casa no ônibus mercedes da linha de coletivo que tem itinerário através da Avenida Abílio Machado que corta os bairros da região Noroeste desde o Anel Rodoviário.

A condensação dos versos permitem estes 'jogos de palavras' que demonstram a capacidade de síntese poética que caracteriza este flâneur adepto de 'leituras e andanças' (como diria o poeta-sociólogo Vinícius Fernandes Cardoso, autor de obra homônima) que evidencia justamente isso: a capacidade de observar o mundo e representá-lo (no sentido dado por Schopenhauer, em “O Mundo enquanto Vontade e Representação”) na forma poética. Arte por excelência não acessivel a todos, mas apenas aos Eleitos (que podem ser nada mais que 'malditos', ai de nós!).

No entrelaçar de forma e conteúdo – tessitura tão peculiar que damos o nome de 'estilo' – coloca-se à prova o entrelaçar de instinto e instrução – que chamamos de 'talento' – que virá a determinar, e é nossa esperança, a trajetória da Obra poética ainda vindoura de Rodrigo Starling rumo ao estilo próprio que o talento promete.



jan/fev/11
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sábado, 26 de fevereiro de 2011

o menor abandonado





O menor abandonado
.
já tem um tempo
conheço as ruas
agora é meu lar
seja beco ou viela
cantos de vida dura
viadutos, abrigos
na selva de pedra
e de asfalto sujo
.
entre os carros
entre os que passam
com pressa e sacolas
entre as faixas
em vias e pistas
de vitrines de lojas
.
mundo de brilho
e mundo feio
de luxo e lixo
ruas de mijo
velha cidade suja
.
solto no mundo
nem pai nem mãe
aqui eu vivo ainda
pernas pra correr
mãos pra pedir
chaga na carne
ferida na pele
.
de restos eu vivo
das migalhas
d'um banquete
aqui sob a mesa
resto pra comer
nos sacos de lixo
.
roubar ou viver
de fruta podre
de fruta de feira
de resto de feira
de resto de fruta
a podre pisada
ou mendigo
que dá um pão
mofado e duro
do homem de trapos
que come e mija
lá sob o viaduto
.
banho no jardim
co'a água fria
água do canteiro
na praça da igreja
quando dá, seu môço
que os hôme chega
vem bater vem prender
aqui muita gente
já vai é correr
gente só de trapo
mulheres da vida
aqueles fumadô
os que cheira
.
todos vamô
junto é gemer
não sei o que fiz
para isso merecer
aqui no mundo
assim jogado
só tem promessa
pra querer esquecer
essa de miséria
que a gente vive
antes de morrer
.
ah a menina
a aquela eu vi
o trapo ela vestia
mal mal cobria
ela nessa vida
qu'ela não merecia
antes de morrer
uma sombra seguia
co'a arma suja
a gente só ouviu
o brilho do tiro
aí foi dela, môço
dela o corpo
que caiu logo ali
.
na correria
a gente então via
a gente descobria
que 'tava co' medo
agarrado tudo
co'a vida
quando o sangue
brilhou ali mesmo
na escadaria
.
com medo de mim
'ocê me olha
ou co'a piedade
ou remorso sem fim
não sou livre
nas ruas minhas
aí nesse mundo
sou é mesmo refém
polícia e malandro
um e outro assim
com arma e dor
tiram a vida de mim
.
co'bala perdida
ou bota de soldado
na porta da igreja
em restos de trapos
a gente deita
antes de morrer
.
eu poderia ser
um ronaldo
um niemeyer
quando crescer
mas o que sou
mesmo eu sei:
um menor
abandonado.
.

fev/11

relendo “Capitães da Areia
romance de Jorge Amado

Leonardo de Magalhaens
.
.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ensaios de MEU CÂNONE OCIDENTAL

MEU CÂNONE OCIDENTAL


Vol. I - Tomo I - Os Clássicos
(século 19)




1/O Vermelho e o Negro
(Le Rouge et Le Noir)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/04/sobre-o-vermelho-e-o-negro-stendhal.html



2/O Morro dos Ventos Uivantes
(Wuthering Heights)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/05/sobre-o-morro-dos-ventos-uivantes-1-de.html



3/Os Miseráveis (Les Misérables)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/05/sobre-os-miseraveis-de-victor-hugo-1.html


4/O Fauno de Mármore
(The Marble Faun)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/10/sobre-o-fauno-de-marmore-de-n-hawthorne.html


5/Bel-Ami (Bel-Ami)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/10/sobre-bel-ami-de-maupassant-p1.html




Volume II – Tomo II


Romantismo

1/Lord Byron (Grã-Bretanha)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/09/sobre-obra-poetica-de-lord-byron-12.html

2/Álvares de Azevedo (Brasil)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/09/sobre-obra-poetica-de-alvares-de.html





Literatura Gótica
Gothic Novels


Der Sandmann (E. T. A. Hoffmann)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/11/sobre-der-sandmann-o-homem-de-areia-de.html

Northanger Abbey (Jane Austen)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/11/sobre-abadia-de-northanger-de-jane.html

The Turn of the Screw (Henry James)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/11/sobre-volta-do-parafuso-de-henry-james.html





Literatura de Terror
Horror Fiction


Frankenstein (Mary Shelley)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/11/sobre-frankenstein-de-mary-shelley-13.html


Contos de Terror de Edgar Allan Poe
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/12/sobre-os-contos-de-terror-de-edgar.html


Dracula (Bram Stoker)
http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/12/sobre-dracula-de-bram-stoker-13.html



outras obras comentadas em
MEU CÂNONE OCIDENTAL

http://meucanoneocidental.blogspot.com/2010/09/outros-ensaios-de-meu-canone-ocidental.html

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

NOVO BLOG Literatura - link !





Caros Amigos e Literatos,

saudações!




Para as postagens de crítica literária e traduções,

além de poemas e contos de minha autoria

eu criei outro BLOG um NOVO blog no

seguinte link abaixo




hoje eu postei uma crítica sobre o

romance SERADIM PONTE GRANDE

do Oswald de Andrade...
boa leitura!
LdeM
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