sábado, 24 de julho de 2010

BRECHT - Perguntas de um trabalhador que pode ler




BERTOLT BRECHT


FRAGEN EINES LESENDEN ARBEITERS

Perguntas de um trabalhador que pode ler

Quem edificou a Tebas que tinha sete portas?
Nos livros permanecem os nomes de reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a muitas vezes arrasada Babilônia –
Quem a reconstruiu tantas vezes? Em quais casas
Da dourada Lima moravam os construtores?
Na noite em que a Muralha da China foi terminada
Para onde foram os pedreiros? A grande Roma
É cheia de arcos de triunfo. Quem os construiu? Sobre quem
Os Césares triunfaram? A célebre Bizâncio
Tinha apenas palácios para os seus moradores?
Mesmo na legendária Atlântida
Na noite, quando o mar a tragou
Os afogados gritavam aos seus escravos.


O jovem Alexandre conquistou a índia.
Ele sozinho?
César derrotou os gauleses.
Ele não tinha sequer um cozinheiro ao seu lado?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Grande Armada
Afundou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos. Quem
Venceu além dele?


Cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete da vitória?
Cada dez anos um grande homem.
Quem pagou os gastos?


Muitas histórias.
Muitas perguntas.

domingo, 18 de julho de 2010

sobre Trapecio / Trapézio de Noé Zayas




Sobre a obra Trapecio/ Trapézio
do escritor Noé Zayas (República Dominicana, 1969-)
(Ediciones Angeles de Fierro/ Anome Livros)
(tradução: Cristiane Grando)

Literatura enquanto denúncia da miséria humana

Quando se pensa nas funções da Literatura, as sociais e as individuais, quando se permite pensar a Escrita enquanto algo-além-do-texto, surge a questão do Testemunho, da Denúncia, de uma voz a declamar e desabafar, mobilizando e trans-formando os Leitores.

A Escrita pode surgir como um testemunho das misérias do Autor ou do Mundo do Autor, de uma realidade dentro e também fora. Uma tragédia a ser denunciada, um mundo que exige mudança e reforma. O Autor aponta (e ironiza) o erro, o ridículo do erro, no propósito de denunciar e superar – restabelecer o equilíbrio. (Senão, então, por que escreveria? Para re-afirmar o Erro? Mas aí não seria um 'erro' para o Autor...)

Mas a Escrita não é apenas Panfleto. Possui um Texto tecido de Linguagens, visa emocionar e informar, causar náusea ou prazer. Tendo um Enredo – com características estilísticas - para dizer algo, apresenta-se como um deus-de-duas-faces: o texto e o contexto. O que diz de si-mesma e o que diz dos outros e para os outros. Em resumo: Enredo/Forma, Estilo/Conteúdo.

A obra Trapecio/ Trapézio (contos? poema em prosa?) do escritor Noé Zayas mostram bem o dilema da Escrita diante da miséria humana: estetizar ou denunciar? Ser arte ou panfleto? Como conciliar ambas das perspectivas?

Encontramos as personagens todas suspensas no circo social, umas e outras se equilibram em acrobacias e saltos mortais, neste desfile de desgraça humanas, neste 'vale de lágrimas', onde se debatem todas em loucura, violências, homicídios, homofobia, traição, indignidades.

Todos os dramas carregados de humanidade e lágrimas, mas retratados (logo intermediados) pela Linguagem. A Escrita alivia ou dramatiza ainda mais? O Autor é mero observador? Um simples médium? Ou sofre junto, tem com-paixão, com as personagens?

No gênero literário pode-se definir como conto, mas a Linguagem é de poema em prosa (o que lembra muito os textos de Baudelaire), com narrativas curtas, concentradas, com algum 'realismo mágico', com o Narrador, em busca de cumplicidade, se dirigindo ao Leitor.

Ou então, interpela a Personagem, confunde a mesma com a Voz narrativa (a causa a leve impressão de ser em 1a pessoa...), apresenta com ironia lírica as imagens da decadência. Contos curtíssimos que não poupam o Leitor das nuances da indignidade, enquanto 'aquela espiadinha' revela o voyeur em potencial. Ver a desgraça alheia é entretenimento?

Um parágrafo basta – se é que é um conto – quando a impressão da miséria é mais do que o suficiente - “La perspectiva del sueño em la realidade inconstante” - “No era un sueño, ni uma alucinación, ni un extravío de la mente. Era, indudablemente, su cuerpo lacerado; uno que otros perros ladrándole a él, no a su cuerpo, y el ruido de un vehículo que huía.”

Na tradução (correta e direta) de Cristiane Grando: “Não era um sonho, nem uma alucinação, nem um deambular da mente. Era, indiscutivelmente, seu corpo lacerado; um ou outro cachorro ladrando para ele, não para o seu corpo, e o ruído de um veículo que fugia.”

Onde o Leitor precisa imaginar – recompor – o restante. Alguém caído ao asfalto, atropelado (¿propositalmente?), a ver a vida se esvair no 'corpo lacerado'.

Assim, o Autor espera a atenção e a imaginação do Leitor. Não entrega o serviço pronto, não facilita. Dicas e sugestões são a matéria-prima. Digressões, alucinações. Tudo para narrar as nuances da degradação. A violência policial, a pobreza das favelas, a infidelidade e a crise familiar, os abusos sexuais, o aprendizado da violência através da violência, o suicídio, o psicótico que assassina o psiquiatra, o êxodo rural, a desigualdade gerando violência, a visão irônica do milagre, a arte mumificando a realidade, os pecados nossos de cada dia.

Assim, cada conto (ou poema em prosa) é um golpe, uma navalhada a mais, na face do leitor que busca entretenimento, que espera algo 'de alto astral' para adormecer ou levantar com pé direito. (Quando li Trapecio pela primeira vez, ousado que sou, tive pesadelos, até ser obrigado a desistir. Um mês depois, eis que reanimado...) Aqui, Noé Zayas não vem apresentar literatura fácil ou de auto-ajuda, para insones e depressivos do cotidiano. É contra-indicado para pessimistas crônicos. (Nem sei porque fui insistir em ler...)

Alguns contos possuem tinturas kafkanianas, algo de sombrio, a lembrar o lúgubre E. A. Poe, algo se surreal, a lembrar o nosso Murilo Rubião, como é o exemplo de “El sonãdor/ O Sonhador”, onde inquieto por sonhos recorrentes, relativos a própria morte, o cidadão, no entanto, segue seguro, pois julga tudo um sonho, nada mais que um sonho. Mero engano: de repente, a tragédia onírica é apenas a ante-câmara da tragédia real. O Autor reduz ao essencial, deixa de lado toda compaixão. Descreve como se fosse um jornalista. Sequer faz a gentileza de nomear o protagonista. Trata-se de um homem anônimo, outro qualquer nas multidões. No final, sabemos que algo medonho será ruminado em nossa imaginação.

Naquela manhã despertou do sonho em que era apunhalado por sua esposa, para imediatamente reconhecer o homem que, dirigindo-se até ele, descarregava o revólver em seu peito. Não se surpreendeu, como não o surpreendia nenhum dos sonhos em que constantemente morria em mãos de algo ou de alguém. Foi nessa mesma manhã, a caminho do trabalho, quando cruzava a avenida Liberdade que viu, sem dúvida que viu, aquele Mercedes Benz rosado que se dirigia até ele. Por um breve instante o atormentou a dúvida, mas essa se dissipou com a consciência de que isso era apenas outro de seus sonhos e seguiu caminhando; desta vez tudo foi diferente.” (trad. Cristiane Grando)

Se o objetivo do Autor é nos assustar com seus pesadelos íntimos e seus recortes sangrentos da realidade, então obteve sucesso. Nada aqui é gratuito, tudo aqui tem seu preço. E custa caro. Depois do terceiro título, já passamos a temer pela Personagem, a esperar o pior. Ninguém se salva, todos caem dos trapézio, todos caem sem qualquer rede para aliviar a queda. E o chão é duro e fatal.

Se o propósito do Autor é conquistar nossa compaixão de Leitores, no sentido de sofrermos junto com os protagonistas e figurantes em miséria, pouco consegue. Ou o trivial: a miséria ama companhia. Ou: antes ele do que eu. Ou ainda: desde que não aconteça comigo! Nós, os Leitores, somos observadores do alheio, das vidas alheias, somos corvos empoleirados nos bustos de Palas, a se deliciar com o horror. (Afinal, Poe não é um sucesso? O Marquês de Sade não é um sucesso?) A miséria alheia (ainda mais de protagonistas, mocinhos e mocinhas, vilões, figurantes...) não desperta nossa compaixão, mas nosso desprezo. Jogamos uma moedinha para o mendigo e viramos a face – caso contrário, há o perigo de cuspirmos imediatamente na miséria.

Set/09
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sábado, 10 de julho de 2010

Neruda - Ode ao Dicionário




PABLO NERUDA


ODE AO DICIONÁRIO

Lombo de boi, pesado
carregador, sistemático
livro espesso:
quando jovem
te ignorei, me vestiu
a suficiência
e me acreditei completo,
e estufado tal um
melancólico sapo
recitei: “Recebo
as palavras
diretamente
do Sinai bramante.
Reduzirei
as formas à alquimia.
Sou um mago.”

O grande mago se calava.

O Dicionário,
velho e pesado, com seu jaquetão
de couro desgastado,
se aquietou silencioso
sem mostrar suas provetas.

Porém um dia,
depois de havê-lo usado
e desusado,
depois
de declará-lo
inútil e anacrônico camelo,
quando em longos meses, sem protesto,
serviu-me de poltrona
e de almofada,
rebelou-se e se plantando
em minha porta
cresceu, moveu suas folhas
e seus ninhos,
moveu a elevação da sua folhagem:
árvore
era,
natural,
generoso
manzano, manzanar ou manzanero,
e as palavras
brilharam em sua copa inesgotável,
opacas ou sonoras,
fecundas nos ramos da linguagem,
carregadas de verdade e de sonho.

Aparto uma
só das
suas
páginas:
Caporal
Capuchón

que maravilha
pronunciar estas sílabas
com fôlego,
e mais abaixo
Capsula
oca, esperando azeite ou ambrosia,
e junto delas
Captura Capucete Capuchina
Capracio Captatorio

palavras
que deslizam como uvas suaves
ou que à luz estalam
como germes cegos que esperaram
nas adegas do vocabulário
e vivem outra vez e dão vida:
uma vez mais o coração as queima.

Dicionário, não és
tumba, sepulcro, caixão,
túmulo, mausoléu,
és senão preservação,
fogo escondido,
plantação de rubis,
perpetuação viva
da essência,
celeiro do idioma.
E é belo
recolher em tuas filas
a palavra
de estirpe,
a severa
e esquecida
sentença,
filha da Espanha,
endurecida
como grade de arado,
fixa no seu limite
de antiquada ferramenta,
preservada
com sua beleza exata
e sua dureza de medalha.
Ou a outra
palavra
que ali vimos perdida
entre linhas
e que de pronto
se fez saborosa e lisa na nossa boca
como uma amêndoa
ou terna como um figo.

Dicionário, uma mão
de tuas mil mãos, uma
de tuas mil esmeraldas,
uma

gota
de tuas vertentes virginais,
um grão
de
teus
magnânimos celeiros
no momento
justo
aos meus lábios conduz,
ao fio da minha pena,
ao meu tinteiro.
De tua espessa e sonora
profundidade de selva,
dá-me,
quando o necessite,
um só trinado, o luxo
de uma abelha,
um fragmento caído
de tua antiga madeira perfumada
por uma eternidade de jasmineiros,
uma
sílaba,
um tremor, um som,
uma semente:
de terra sou e com palavras canto.



Oda al Diccionario

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in: Nuevas Odas Elementales (1956)

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sábado, 3 de julho de 2010

Ode à Melancolia - John KEATS




JOHN KEATS

Ode on Melancholy
(1820)


1.

Não, não, não siga ao Letes, nem agite
As ervas (1), enraizadas, a buscar venenosa poção;
Nem sofra tua pálida fronte ao ser beijada
Pela noturna uva rubra de Proserpina;
Não faça seu rosário de bagas-de-teixo,
Não deixe o besouro, nem a mariposa serem
Sua lamentosa Psiquê, nem a sábia coruja
Sua companheira nos mistérios da mágoa;
Pois de sombra em sombra virá sonolenta,
E afogará a desperta angústia da alma.

2.

Mas quando a melancólica crise descer,
De súbito, dos Céus tal uma nuvem de lamentos,
Que acaricia todas as flores reclinadas,
E oculta a verde colina numa mortalha;
Então queira fartar tua dor numa rosa-da-manhã,
Ou sobre o arco-íris da onda salgada,
Ou sobre a fartura das belas flores globais:
Ou se tua senhora alguma rica ira demonstra,
Aprisione a sua suave mão, e deixe-a delirar,
E se satisfaça no profundo de seus olhos singulares.

3.

Ela habita junto a Beleza – que deve morrer;
E junto a Alegria, cuja mão aos lábios dele
Acenam adeus; e golpeando o Prazer próximo,
Tornando-se em poção enquanto as abelhas sorvem:
Sim, no verdadeiro templo do Deleite
Velada Melancolia tem seu relicário,
Apesar de invisível ser salvo, cuja ativa língua
Pode explodir a uva da Alegria ao céu-da-boca;
A alma dele degustará a tristeza dela,
E suspenso meio aos dela nublados troféus.


(1) “wolf’s bane”: acônito ou arnica, erva medicinal.
Com efeitos associados à Licantropia.

Trad. livre by Leonardo de Magalhaens
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Jan/08

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JOHN KEATS

Ode On Melancholy
(1820)

1.

No, no! go not to Lethe, neither twist
Wolf's-bane, tight-rooted, for its poisonous wine;
Nor suffer thy pale forehead to be kissed
By nightshade, ruby grape of Proserpine;
Make not your rosary of yew-berries,
Nor let the beetle nor the death-moth be
Your mournful Psyche, nor the downy owl
A partner in your sorrow's mysteries;
For shade to shade will come too drowsily,
And drown the wakeful anguish of the soul.

2.

But when the melancholy fit shall fall
Sudden from heaven like a weeping cloud,
That fosters the droop-headed flowers all,
And hides the green hill in an April shroud;
Then glut thy sorrow on a morning rose,
Or on the rainbow of the salt sand-wave,
Or on the wealth of globed peonies;
Or if thy mistress some rich anger shows,
Emprison her soft hand, and let her rave,
And feed deep, deep upon her peerless eyes.

3.

She dwells with Beauty -- Beauty that must die;
And Joy, whose hand is ever at his lips
Bidding adieu; and aching Pleasure nigh,
Turning to poison while the bee-mouth sips;
Ay, in the very temple of delight
Veiled Melancholy has her sovran shrine,
Though seen of none save him whose strenuous tongue
Can burst Joy's grape against his palate fine;
His soul shall taste the sadness of her might,
And be among her cloudy trophies hung.


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Para ouvir em
http://www.youtube.com/watch?v=ywBEYFKgEbM
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postagem ao som de
http://www.youtube.com/watch?v=zLmspcgrYrY

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domingo, 27 de junho de 2010

Citadelle / Cidadela - Saint-Exupèry








trechos de
Citadelle Cidadela
de Antoine de Saint-Exupéry, autor humanista francês

Saudações!
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Continuo a ler e traduzir um livro excepcional de Antoine de Saint-Exupéry, o nobre humanista autor do primeiro livro que li, aos 7 anos de idade, “O Pequeno Príncipe” [Le Petit Prince, 1943 ]. Lendo e relendo Exupéry – como Sartre também fez – é de ficar perplexo como é difícil classificar e rotular 'ideologicamente' o autor. Seria um humanista. Nem esquerda nem direita – até porque detestava tanto comunistas como nazistas. Não era exatamente um democrata, era antes um observador de seres humanos – onde haviam uns grandiosos e outros mesquinhos. Quase se aproxima de Nietzsche, com certo 'aristocracismo'. Ambos apreciavam mitos, lendas e parábolas – e liam a Bíblia. Sem a Bíblia não teriam escrito nem “Cidadela” [Citadelle, 1948, póstumo] nem “Assim disse Zarathustra” [Also sprach Zarathustra, 1885].
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Sartre dizia que Exupéry se esmerava por ser mais humanista que o Humanismo (algo como um General Franco que queria ser mais realista que o Rei...) e que seu 'aristocracismo' lembrava algo dos impérios orientais. Tanto é assim que “Cidadela” tem por 'narrador' um filho de Rei, um imperador de importante Império, a receber lições sobre os homens, para melhor governá-los, quando da morte do soberano. O tom é solene e o cenário é aquele das areias do norte da África, entre caravanas e oásis, entre dançarinas e nômades.
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São mais de 500 páginas, assim traduzo apenas o que me deixa admirado.
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Fonte: http://wikilivres.info/wiki/Citadelle



Pois eu tenho visto muitas vezes a piedade se perder. Mas nós que governamos os homens, temos que aprender a sondar seus corações afim de não ministrarmos nossa solicitude senão a objeto digno de estima. Mas essa piedade, eu a recuso às feridas que se exibem que comovem o coração das mulheres, como recuso aos agonizantes, e aos mortos. E eu sei porquê.

Car j’ai vu trop souvent la pitié s’égarer. Mais nous qui gouvernons les hommes, nous avons appris à sonder leurs cœurs afin de n’accorder notre sollicitude qu’à l’objet digne d’égards. Mais cette pitié, je la refuse aux blessures ostentatoires qui tourmentent le cœur des femmes, comme aux moribonds, et comme aux morts. Et je sais pourquoi. (I)


Morada dos homens, quem te fundaria sobre o raciocínio? Quem seria capaz, segundo a lógica, de te edificar? Existes e não existes. És e não és. És feita de materiais díspares, mas é preciso te inventar para te descobrir. De mesmo modo que aquele que destruiu sua casa com a pretensão de conhecê-la, não consegue mais que um monte de pedras, tijolos e telhas, não encontra nem sombra nem silêncio nem intimidade para o que elas serviam, e nem sabe qual serviço esperar desse monte de tijolos, pedras e telhas, pois falta-lhe invenção que os domine, a alma e o coração do arquiteto. Pois falta à pedra a alma e o coração do homem.

Demeure des hommes, qui te fonderait sur le raisonnement ? Qui serait capable, selon la logique, de te bâtir ? Tu existes et n’existes pas. Tu es et tu n’es pas. Tu es faite de matériaux disparates, mais il faut t’inventer pour te découvrir. De même que celui-là, qui a détruit sa maison avec la prétention de la connaître, ne possède plus qu’un tas de pierres, de briques et de tuiles, ne retrouve ni l’ombre ni le silence ni l’intimité qu’elles servaient, et ne sait quel service attendre de ce tas de briques, de pierres et de tuiles, car il leur manque l’invention qui les domine, l’âme et le cœur de l’architecte. Car il manque à la pierre l’âme et le cœur de l’homme. (IV)

Assim sobre a virtude. Meus generais, em sólida estupidez, vieram falar comigo sobre a virtude:
'Eis aí, disseram-me, que os costumes se corrompem. E é porque o império se decompõe. É preciso endurecer as leis e inventar sanções mais cruéis. E cortar as cabeças daqueles que fracassarem.'

Eu, comigo, pensava:
'Talvez seja preciso cortar cabeças. Mas a virtude é, de início, consequência. A corrupção dos homens é antes de tudo a corrupção do império que determina os homens. Pois se estivesse ele vivo e são ele exaltaria a nobreza dos homens.'

Ainsi de la vertu. Mes généraux, dans leur solide stupidité, me venaient parler de la vertu :
« Voilà, me disaient-ils, que leurs mœurs se corrompent. Et c’est pourquoi l’empire se décompose. Il importe de durcir les lois et d’inventer des sanctions plus cruelles. Et de trancher les tètes de ceux-là qui auront failli. »

Moi, je songeais :
« Il importe peut-être en effet de trancher des têtes. Mais la vertu est d’abord conséquence. La pourriture de mes hommes est avant tout pourriture de l’empire qui fonde les hommes. Car s’il était vivant et sain il exalterait leur noblesse
. »
(XVI)


Aquele que vem até mim com sua linguagem para apreender e exprimir o homem na lógica de sua exposição, parece-me semelhante à criança que se instala ao pé do Atlas com seu balde e uma pá, e formula o projeto de pegar a montanha e a transportar para outro lugar. O homem é o que é, não o que se exprime. Certamente que o objetivo de toda consciência é se exprimir o que é, mas a expressão é obra difícil, lenta e tortuosa, - e o erro está em crer que não é isso que não pode primeiramente enunciar. Pois enunciar e conceber têm o mesmo sentido. Mas é frágil a parte do homem que eu até hoje aprendi a conceber. Mas, isso que eu concebi um dia não existia menos na véspera, e eu me engano se eu imagino que isso que eu não pude exprimir do homem não é digno de ser considerado. Pois assim eu não exprimo a montanha, mas a significo [dou significado a ela]. Mas eu confundo significar e apreender. Eu significo a quem já conheça, mas aquele que a ignora, como saberei lhe transmitir esta montanha com suas ravinas de pedras rolantes e seus flancos de odores e seu topo escarpado rumo as estrelas? E eu sei quando esta não é uma fortaleza arrasada ou um barco sem direção do qual se solta a corda do anel de ferro para deslocar para onde quiser – mas existência maravilhosa com as leis de sua gravitação interna e seus silêncios mais majestosos que o silêncio da maquinaria das estrelas.

Celui-là qui me vient avec son langage pour saisir et exprimer l’homme dans la logique de son exposé me paraît semblable à l’enfant qui s’installe au pied de l’Atlas avec son seau et sa pelle et forme le projet de saisir la montagne et de la transporter ailleurs. L’homme c’est ce qui est, non point ce qui s’exprime. Certes, le but de toute conscience est d’exprimer ce qui est, mais l’expression est œuvre difficile, lente et tortueuse, — et l’erreur est de croire que n’est pas ce qui ne peut d’abord s’énoncer. Car énoncer et concevoir ont même sens. Mais est faible la part de l’homme que j’ai jusqu’à aujourd’hui appris à concevoir. Or, ce que j’ai conçu un jour n’en existait pas moins la veille, et je me leurre si j’imagine que ce que je ne puis exprimer de l’homme n’est point digne d’être considéré. Car non plus, je n’exprime point la montagne mais je la signifie. Mais je confonds signifier et saisir. Je signifie à qui connaît déjà, mais si celui-là ignorait, comment saurais-je lui transmettre cette montagne avec ses crevasses aux pierres roulantes et ses pans de lavande et son faîte crénelé dans les étoiles ? Et je sais quand celle-là n’est point forteresse démantelée ou barque sans direction dont on détache la corde à son gré de l’anneau de fer pour la conduire là où il plaît — mais existence merveilleuse avec les lois de sa gravitation interne et ses silences plus majestueux que le silence de la machinerie des étoiles.
(XXX)
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Leonardo de Magalhaens / Saint-Exupèry
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

sincroni-cidade (tudo ao mesmo tempo agora)




sincroni-cidade

(tudo ao mesmo tempo agora)



Às 11:59, horário de verão, de uma quarta-feira, quase nublada, um catador de papelão e ferro-velho, moreno, encurvado, arrasta uma carroça imensa, cinco vezes o seu tamanho, carregada de papelão amassado e garrafas de plástico, em plena avenida Bias Fortes com rua Tupis, a cem metros do elevado Castelo Branco, meio ao trânsito contínuo,

enquanto isso, na esquina de rua Curitiba com avenida Amazonas, um cidadão suarento, mesmo correndo, acaba de perder o ônibus,

no mesmo instante, o jovem advogado JC acaba de mudar o câmbio de marcha, ao arrancar num sinal, ao subir a rua da Bahia, ouvindo um reggae universitário, lembrando do Capítulo V do Código de Defesa do Consumidor,

sincronicamente, uma dona de casa, cantarolando um pagode, atravessa a rua Espírito Santo, para o quarteirão da Imprensa Oficial, segurando firme a bolsa de compras, ao ver crianças de rua, com ares suspeitos,

ao mesmo tempo, o escritor LM atravessa a avenida Afonso Pena, diante do Palácio das Artes e do Conservatório de Música, atento ao verdor do Parque Municipal e ao rugir dos motores, em passos apressados rumo ao Edifício Maletta,

enquanto isso, do referido Ed. Maletta acaba de sair o desempregado LX, um tanto desapontado, devido ao fato de não haver encontrado um ex-colega, agora empregado e disposto a indicar-lhe uma possível vaga de serviço na construção civil,

sincronicamente, trocando beijinhos afeituosos, duas adolescentes estudantes concluem o doloroso ritual de despedida, na portaria do shopping center, na ladeira da rua São Paulo, combinando o próximo encontro no msn,

ao mesmo tempo, o corretor de imóveis FS, tendo ao lado a jovem amante CF, adentra o drive in na mesma rua São Paulo, três quarteirões abaixo,

enquanto isso, no alto do edifício defronte, a empregada SS, 25 anos, troca as flores murchas num vaso de flores, exposto na janela do apartamento de sua patroa, a cirurgiã-dentista TS, 36 anos, recém-divorciada do promotor público JF, 52 anos, envolvido em casos extra-conjugais,

ao mesmo tempo, no andar de baixo, a jornalista CBL atende o celular, enquanto corrige um texto, e segue uma amiga no twitter, e troca a estação de rádio, quando imaginava estar abaixando o volume, solta um suspiro,

enquanto isso, no táxi branco do motorista RN, 56 anos, moreno e bem-humorado, ressoam risadas à uma anedota do passageiro, o diretor de teatro ZF, 50 anos, enquanto trafegam na avenida Cristiano Machado, voltando do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins,

ao mesmo tempo, o vereador TJ almoça com um correligionário, que procede às apresentações, estendendo a mão a um diretor técnico de grande empresa de construções na Capital e Região Metropolitana, e todos já sabem que a refeição será regada a vinho e propina,

enquanto isso, na oficina suja, entre a avenida Assis Chateaubriand e a avenida do Contorno, um mecânico discute o preço com um cliente, enquanto troca um pneu furado e alinha as rodas dianteiras,

sincronicamente, uma descarga de sanitário ressoa no toalete masculino no andar de periódicos da Biblioteca Estadual Luiz de Bessa, enquanto a faxineira retira a tampa de frasco de desinfetante aroma lavanda, e um policial fardado atende o celular junto ao bebedouro,

enquanto isso, os televisores do restaurante Carne na Brasa, no Barro Preto, exibem um gol antológico do artilheiro da vez, numa polêmica cobrança de penâlti,

de forma sincrônica, uma guitarra solo de balada hard rock vaza de um sobrado na rua Platina, derramando-se sobre os transeuntes na ladeira de acesso à Estação de Metrô Calafate,

ao mesmo tempo, o Sr. JP, funcionário público aposentado, em seu quarto de pensão, na Lagoinha, completa outra coluna vertical da palavra-cruzada, o sinônimo de 'ávido' com cinco letras, começando com 'v', e ouvindo o sinalzinho eletrônico da Rádio Itatiaia,

no mesmo instante, os ex-namorados CH e AG fingem não se conhecerem, quando se percebem, com mal-estar, na mesma fila no Banco do Brasil, na agência Rio de Janeiro,

enquanto isso, um casal de universitários trocam olhares, beijos e juras de amor, coisas de namoro novo ou idílio de um verão, diante da Faculdade de Farmácia, no Campus UFMG na Pampulha,

ao mesmo tempo, resplandece nos altos céus o Boeing 747 que decolou às 11h50 da pista do Aeroporto da mesmíssima Pampulha, voando nuvens acima, rumo ao Triângulo Mineiro,

enquanto isso, na avenida Santos Dumont, um jovem office-boy é assaltado por um motociclista, que já parece saber que na pasta marrom há, somando notas e cheques, a quantia de mil e quinhentos reais,

ao mesmo tempo, na lanchonete defronte, uma senhora quase se engasga com o pastel de queijo, ao ver, sem o desejar, a cena da abordagem e roubo,

ao mesmo tempo, na outra faixa da mesma avenida, um motorista de carro de vidraçaria vê a mesmíssima cena, um motoqueiro a subtrair a pasta marrom de um boquiaberto office-boy,

em sincronia, um lixeiro recolhe o lixo, em sacolas plásticas pretas, deixado por uma dupla de garis, na rua Timbiras com avenida Olegário Maciel, enquanto um casal atravessa na faixa de pedestre, rumo ao suntuoso templo evangélico, trocando reclamações referentes ao nauseabundo mau-cheiro do caminhão,

ao mesmo tempo, a atriz BP passeia com a poodle Mimi, junto aos ipês da Praça da Liberdade, enquanto recebe o olhar sedutor de um senhor em passo de footing, com ares de recém-aposentado,

enquanto isso, o catador de papelão e ferro-velho, na avenida Bias Fortes com rua Tupis, farejando um modesto bar com P(rato) F(eito), não sabe se poderá almoçar hoje.
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BH, 10 e 20 fev/10
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Leonardo de Magalhaens
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sábado, 12 de junho de 2010

ULYSSES Ulisses James Joyce Nausicaa





JAMES JOYCE

ULYSSES
ULISSES
Episódio 13 – Nausicaa
(trecho)
(trad. LdeM)

O entardecer de verão tinha começado a cobrir o mundo no seu misterioso abraço. Longe no ocidente o sol poente e o brilho derradeiro do dia tão fugaz graciosamente sobre o mar e praia, sobre o orgulhoso promontório do velho e bom Howth(1) guardando como sempre as águas da baía, sobre as rochas cobertas de mato ao longo da praia de Sandymount e, por fim mas não menos importante, sobre a calma igreja de onde ondeava às vezes sobre a serenidade a voz de reza àquela que é em sua pura sublimidade esplendorosa um farol sempre ao atormentado coração do homem, Maria, a estrela do mar.

As três mocinhas amigas sentavam-se nas rochas, aproveitando a cena crepuscular e no ar um tanto frio mas não de dar arrepios. Muitas vezes, com frequência, elas costumavam vir ao favorito recanto a ter um bate-papo aconchegante junto às faiscantes ondas e discutir assuntos femininos, Cissy Caffrey e Edy Boardmann com o bebê no carrinho, e Tommy e Jacky Caffrey, os dois pequenos garotos de cabelos encaracolados, trajando terninho de marinheiro e quepes combinando e o nome H. M. S. Belleisle (2) escrito em ambos. Pois Tommy e Jacky Caffrey eram gêmeos, quase quatro anos de idade e bem barulhentos e gêmeos mimados às vezes, mas, apesar de tudo, queridos camaradinhas com alegres faces brilhantes e com modos afetuosos. Eles estavam correndo na areia com suas pás e baldes, construindo castelos do jeito que as crianças fazem, ou brincando com a grande bola colorida, felizes tanto quanto o dia durava. E Edy Boarman estava balançando o bebê gorducho prá-lá e prá-cá no carrinho enquanto o jovem gentleman rindo sinceramente com satisfação. Ele não tinha mais que onze meses e nove dias e, apesar de ainda uma pequenina criancinha, já começava a balbuciar suas primeiras palavras de bebê. Cissy Caffrey inclina-se sobre ele para apertar sua gorducha pequena bochecha e a mimosa covinha em seu queixo.

[...]
Mas então houve uma leve altercação entre o mestre Tommy e o mestre Jacky. Meninos são meninos e nossos dois gêmeos não são exceção à esta regra de ouro. O pomo da discórdia foi um certo castelo de areia que o mestre Jacky tinha construído e o mestre Tommy teria cismado que certo é o errado que seria arquiteturalmente melhorado ao ter uma porta frontal igual a da torre Martello(3). Mas se o mestre Tommy era cabeçudo o mestre Jacky era igualmente teimoso e, fiel à máxima que 'cada pequena casa do irlandês é seu castelo'(4), ele caiu sobre o seu odioso rival e à tal propósito que o suposto atacante veio a sofrer e (triste dizer!) o cobiçado castelo também. Desnecessário dizer que o choro do frustrado mestre Tommy atraíram a atenção das mocinhas amigas.

[...]
Ela [Cissy] estendeu o braço ao pequeno marinheiro [Tommy] e mimou-o simpática:
- Qual é o seu nome? Creme ou manteiga?
- Diga quem é sua queridinha? Disse Edy Boardman. Sua queridinha é a Cissy?
- Naum, Tommy disse choroso.
- Sua queridinha é a Edy Boardman? Cissy perguntou.
- Naum, disse Tommy.
- Eu sei, Edy Boardman disse, não tão amavelmente com um olhar arqueado de seus olhos míopes. Eu sei quem é a queridinha do Tommy, é a Gerty que é a queridinha do Tommy.
- Naum, Tommy disse, à beira das lágrimas.
O instinto maternal de Cissy logo percebeu o que estava errado e ela sussurrou para Edy Boardman levá-lo lá atrás do carrinho onde o cavalheiro não o poderia ver e ter cuidado para que ele não molhasse seus novos sapatos de couro.

Mas quem era Gerty?

Gerty MacDowell que estava sentada próxima às companheiras, perdida em pensamentos, olhando fixamente ao longe, era na verdade um belo espécime da atraente jovem feminilidade irlandesa como desejaria se ver. Ela era denotada beleza por todos que a conheciam embora, como o povo frequentemente dizia, que ela era mais uma Giltrap que uma MacDowell. Sua figura era delicada e graciosa, inclinada mesmo a fragilidade mas aquelas pílulas de ferro que ela tomava ultimamente tinha feito a ela um mundo de benefício muito mais que as pílulas femininas Widow Welch e era muito melhor que os sangramentos que ela costumava ter e que a deixavam com sensação cansada. A palidez de cera de sua face era quase espiritual na sua pureza de marfim apesar de sua boca de botão de rosa ser uma genuína flecha de Cupido, de perfeição grega. Suas mãos eram de delgado alabastro traçado de veias com os dedos afilados e tão brancas quanto poderia deixá-las um suco de limão ou a rainha das pomadas, embora não ser verdade que ela costumava vestir luvas infantis na cama ou banhar os pés em leite tampouco. Bertha Supple disse que uma vez a Edy Boardmann, uma deliberada mentira, quando ela estava furiosa com Gerty (as mocinhas tinham, claro, suas briguinhas de vez em quando como o resto dos mortais) e ela lhe disse que não dissesse a qualquer um o que ela fizera que isto era ela que lhe disse ou ela nunca falaria com ela novamente. Não. Honra a quem merece. Era um ianto refinamento, uma lânguida altives de rainha em Gerty que era, sem erro, evidenciado nas suas mãos delicadas e arqueado formato do pé. Tivesse a boa sina desejado que ela nascesse uma dama de alta nobreza em seu próprio direito e tivesse ela apenas recebido o benefício de uma boa educação Gerty MacDowell deveria facilmente manter-se consigo tal uma lady na terra e teria ela mesma requintadamente trajada com jóias em sua testa e pretendentes patrícios aos seus pés rivalizando uns com os outros para prestar-lhe homenagem. Talvez fosse isto, o amor que podia ter sido, que emprestava a ela a face delicada à momentos um olhar, tenso com significado recalcado, que concedia uma estranha tendência ansiosa aos belos olhos um charme ao qual poucos poderiam resistir. Por que as mulheres têm semelhantes olhos de feitiço? Os de Gerty era do azul mais azul irlandês, realçados por cílios lustrosos e escuras sobrancelhas expressivas. Tempo houve em que estas sobrancelhas não foram tão sedososedutoras. Foi a Madame Vera Verity, diretora da página Beleza da Mulher [Woman Beautiful] da Princess Novelette(5), que tinha primeiro aconselhado a ela tentar a tinta de sobrancelha que dava aquela faiscante expressão aos seus olhos, assim tornando-se em expoente da moda, e ela nunca se arrependeu. Então houve rubor cientificamente curado e como ser mais alta aumenta sua altura e você tem uma bela face mas e seu nariz? Tal serviria melhor a Sra. Dignam, pois ela tinha um igual botão. Mas a glória coroada de Gerty era a fartura de um maravilhoso cabelo. Era castanho-escuro com uma ondulação natural. Ela tinha cortado-o naquela manhã de acordo com a lua nova e aninhava-o em sua linda cabeça numa profusão de luxuriantes cachos e aparava as unhas também, quinta-feira (6) para ter riqueza. E justo agora às palavras de Edy como um rubor denunciante, delicado tal o mais sutil desabrochar de rosa, a notar-se em sua face, ela olhava tão amável em sua doce timidez feminina que certamente na abençoada terra da Irlanda não se encontrará igual.

[...]

Trad. Livre by Leonardo de Magalhaens / jun/2010

Notas:

(1) Howth – aldeia de pescadores, ao norte da baía de Dublin.
(2) HMS Belleisle, nome dado a três navios bélicos da Marinha Britânica, Royal Navy, em diferentes épocas.
(3) Torre (Tower) Martello – tipo de torre cilíndrica, reforçada, para fins militares defensivos. No episódio 1, sabemos que Stephen Dedalus vive em uma torre deste tipo, numa das praias de Dublin.
(4) No original ”every little Irishman's house is his castle”, máxima também encontrada na Inglaterra, onde temos a variante “Englishman's house”. A súmula do 'direito de propriedade'.
(5) Princess Novelette – nome de revista feminina popular da época.
(6) quinta-feira – o dia narrado no romance é 16 de junho de 1904, Thursday.
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Texto original em Ulysses – Project Gutenberg
http://www.gutenberg.org/catalog/world/readfile?fk_files=853163&pageno=314
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Imagens que lembram a época do romance em
http://www.joyceimages.com/chapter/13/?page=1
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Filme baseado em Ulysses (trailler)
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